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terça-feira, julho 20, 2010

Cidadão Boilesen

O documentário revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar, ajudando no financiamento da repressão violenta e também a sua participação na criação da temível Oban – Operação Bandeirante, espécie de pedra fundamental do Doi-Codi.

Henning Albert Boilesen foi um personagem-chave na ditadura brasileira. Um empresário dinamarquês naturalizado brasileiro, era conhecido entre os seus amigos como uma pessoa alegre, agradável, afável. Para a ditadura, ele foi o responsável por recolher as contribuições do setor privado para financiar a Operação Bandeirantes, uma das ações mais violentas da história brasileira. Foi acusado de não apenas financiar a tortura, como estaria presente nas sessões. O documentário de Chaim Litewski , mais do que investigar o fator histórico, se focou na pessoa, e em todos os aspectos que ela trazia.

Direção: Chaim Litewski
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Ano: 2009
Duração: 92 min
Elenco: Celso Amorim, Jarbas Passarinho, Erasmo Dias, Dom Paulo Evaristo Arns, Fernando Henrique Cardoso.

Guerra do Brasil - Toda a Verdade sobre a Guerra do Paraguai

“Guerra do Brasil”, foi alvo de muita polêmica durante a I Mostra de Cinema Latino Americano do Paraná (1987), quando Silvio Back retirou sua obra da mostra. Entre 1864 e 1870, a América do Sul é palco do maior e mais sangrento conflito armado do século, conhecido como a "Guerra do Paraguai", quando mais de um milhão de pessoas morreram. O filme desmascara a história oficial, que mitificou certos vultos como o Duque de Caxias, até hoje tido como herói. Misturando ficção e documentário, o filme foi feito com base no trabalho de pesquisadores dos países latinos estudiosos do maior e mais sangrento conflito armado do século, conhecido como a Guerra do Paraguai ou Guerra Grande, para os paraguaios.

Diretor: Sylvio Back
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Ano: 1987
Duração: 79 minutos
Elenco: Hermano Henning (narração); Eduardo Galeano (Escritor Uruguaio); Jacinto Roque;
Cel. José Cancelo Santiago; Ricardo Caballero Aquino (Historiador Uruguaio); Julio José Chiavenato (Historiador Brasileiro); Cel Ayala Queirolo (Historiador paraguaio); Max Justo Guedes (Diretor do Serviço de Documentação Geral da Marinha brasileira); León Pomer (Historiador Argentino); Cel. Ruas Santos (Historiador Brasileiro); Cel. José Felix Pavón González (Cmte. Batalhão de Fronteira nº1 – Pilar / Paraguai); Cel. May

segunda-feira, julho 12, 2010

Lula - O Filho Do Brasil


1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês depois da partida do marido Aristides para tentar a vida em São Paulo com uma moça bem mais nova, Dona Lindu dá a luz ao seu sétimo filho, Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de "Lula". Sozinha, Dona Lindu, uma mulher simples e de rígidos valores morais, enfrenta as dificuldades sem se queixar.

Durante a seca de 1952, a pior da história do Nordeste, a família recebe uma carta de Aristides, chamando mulher e filhos para viverem a seu lado em São Paulo. Dona Lindu vende tudo o que tem e parte com os filhos, sem saber de que se tratava de uma carta falsa: cansado de apanhar do pai, Jaime forjara uma carta convocando a família. Na verdade, Aristides queria distância da primeira mulher e de seus sete filhos.

A viagem em pau-de-arara do sertão até Santos dura 13 dias e 13 noites. Durante o longo percurso, Lula testemunhou situações de grande miséria e crueldade, e também a integridade e compaixão da mãe.

Santos foi a primeira parada da família, onde Aristides vivia com outra mulher e sobrevivia como estivador. Dona Lindu e seus filhos viviam em condições precárias, agravadas pela crescente violência do pai que passou a beber cada vez mais. Dona Lindu insistia para que os meninos estudassem, enquanto o pai proibia esse 'luxo': "Filho de pobre tem que trabalhar e não estudar" dizia. O pequeno Lula ia à escola, vendia frutas na rua e confrontava o pai. Um dia Dona Lindu toma uma atitude audaciosa: abandona o marido e vai para São Paulo em busca de uma vida melhor para os filhos.

Em 1963, Lula oferece uma enorme felicidade à mãe: conclui o curso profissionalizante do SENAI. Como todo jovem de sua idade, vai ao cinema, bailes, e passa a namorar Lurdes, irmã de Lambari, seu melhor amigo.

Uma nova mudança leva os Silva para o ABC paulista. Lula passa a exercer a profissão de torneiro-mecânico da indústria automobilística. O casamento com Lurdes e uma casinha modesta pareciam selar um final feliz para o jovem migrante. A mãe envelhecia e via seus filhos cumprirem seu lema - nenhum deles saiu da trilha: Vavá, Ziza, e Lula tornaram-se operários qualificados, Zé Cuia motorista, Jaime continuou estivador. Marinete, Maria e Sebastiana casaram-se. A felicidade de Lula, no entanto, sofreu um golpe trágico: por falta de assistência médica, ele perde a mulher, grávida de nove meses, e o filho.

Sempre apoiado pela mãe, Lula demora a se recuperar. Volta-se cada vez mais para a militância sindical, que a princípio rejeitou. Em mais um lance do destino, um motorista de táxi lhe fala da nora, Marisa Letícia, uma jovem viúva, com um filho. Pouco depois, no Sindicato, conhece Marisa Letícia, que seria sua segunda mulher, com quem teria quatro filhos.

Na década de 70, o percurso de Lula passa por profundas transformações pessoais e profissionais. Como líder sindical ele emerge como uma força política renovadora. Dona Lindu estava certa quando batia na cabeça do menino e dizia: "Este aqui vai ser gente. Vai ter uma profissão".

"Lula, o Filho do Brasil" conta a saga da família Silva, uma saga igual a de tantas outras famílias Silva do Brasil.

Direção: Fábio Barreto
Gênero: Drama
Origem: Brasil
Ano: 2002
Duração: 128 min
Elenco: Rui Ricardo Diaz, Glória Pires, Cléo Pires, Juliana Baroni, Milhem Cortaz, Lucélia Santos, Antônio Pitanga


quarta-feira, junho 30, 2010

O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias


1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Direção: Cao Hamburguer
Gênero: Drama
Origem: Brasil
Ano: 2006
Duração: 110 min
Elenco: Michel Joelsas , Germano Haiut , Daniela Piepszyk , Caio Blat , Paulo Autran.

sábado, junho 12, 2010

O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes

Luiz Carlos Prestes. Um nome, por si só, carregado de estigma, aversão, entusiasmo, desconfiança ... O Velho, a história de Luis Carlos Prestes é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa. Um comunista convicto que carregou ideais, hoje soterrados pelos escombros do muro. O roteiro atravessa setenta anos da história contemporânea brasileira, da qual Prestes foi um dos agentes principais. O caminho de "ouro de Moscou" na insurreição comunista de 35; Olga Benário, o primeiro amor de Prestes, na verdade espiã do Exército Vermelho; a participação dos agentes estrangeiros no levante; o cruel assassinato de Elza por importantes dirigentes do PCB; o surpreendente acordo entre Vargas e Prestes em 46; a equivocada posição do Velho diante do iminente golpe de 64 ... Finalmente, estes fatos marcantes e obscuros são trazidos à tona para ajudar a entender nosso passado recente. Foram colhidos os depoimentos de políticos, historiadores, escritores, jornalistas, amigos, família e ex-membros do Comitê Central do PCB. Uma exaustiva pesquisa de filmes de época na precária memória da país revela imagens raríssimas de Luiz Carlos Prestes. O Velho é um abrangente painel sobre parte da história brasileira. Sempre clandestinos ou foragidos, poucos registros visuais sobre os comunistas brasileiros resistiram à feroz perseguição policial. É a primeira iniciativa do gênero, um filme sobre a história não oficial do Brasil.

Direção: Toni Venturi
Gênero: Documentário
Origem: Brasil 
Ano: 1997 
Duração: 105 min.
Elenco: Paulo José (narração)

sexta-feira, junho 11, 2010

Peões


Peões é a história pessoal de trabalhadores da indústria metalúrgica do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas que permaneceram em relativo anonimato. Eles falam de suas origens, de sua participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. Exibem souvenirs das greves, recordam os sofrimentos e recompensas do trabalho nas fábricas, comentam o efeito da militância política no âmbito familiar, dão sua visão pessoal de Lula e dos rumos do país. Um filme de muita sensibilidade e com um lado humano muito forte.
Peões não é um filme emocional, embora emocione. Eduardo Coutinho é um grande diretor e este filme pulsa em uma forte tensão, rara nos seus filmes: aquela entre a memória e a história. Isso porque Coutinho habitualmente capta os personagens no momento de sua construção, na fala do entrevistado. Neste filme, diferente disso, ele tem um assunto, que o pressiona: seus personagens pertencem de fato a uma categoria, categoria que dialogou com a macro-história. Não são apenas pessoas, mas pessoas que tomaram parte do grande movimento operário que promoveu as grandes greves no ABC em 1979 e 1980.
Enquanto problematiza o choque entre memória e história e a definição estanque de categorias limítrofes, Peões  ainda se insere na filmografia de Coutinho como um filme de visão de mundo: toda nostalgia desconstrutiva que se poderia afirmar ao se olhar para trabalhadores saudosos da “era das revoluções” ou para a decadência de quem já foi outrora soldado da transformação e agora se acomoda na velhice doente se transforma em índice de que a política é, no limite, uma moral.

Direção: Eduardo Coutinho
Gênero: Documentário 
Origem: Brasil
Ano: 2004
Duração: 85 min.
Elenco: Maria Socorro Morais Alves , José Alves Bezerra , Zacarias Feitosa de Morais , José Gonçalo Araripe "Zé Pretinho" , Joaquim de Souza Lima.

quinta-feira, junho 10, 2010

Linha de Montagem

O relançamento, em 2008, em cópia restaurada, do documentário "Linha de Montagem", de Renato Tapajós, representa uma façanha. Por muito pouco, o filme realizado entre 1979 e 1981 e lançado em 1982 não foi apreendido pela polícia e depois destruído pelo bolor.
Luiz Inácio Lula da Silva, na época metalúrgico e militante sindical, é um dos personagens principais do filme

O tema do filme é o surgimento das maciças greves dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, no final dos anos 70, de onde surgiria um novo líder, Luiz Inácio da Silva, ainda sem ter incorporado ao próprio nome o "Lula", que era o seu apelido na fábrica e no sindicato de São Bernardo, que ele presidiu.
Por esse motivo, o documentário é uma rara oportunidade de analisar o surgimento de um movimento social, que contribuiu para o fim da ditadura e deu origem a um novo partido, o dos Trabalhadores.

Imagens das assembléias do estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, às vezes lotadas com cerca de 100.000 operários, são uma prova da força das manifestações. Isso num momento em que ainda estava em vigor a ditadura militar, que usava contra os líderes grevistas instrumentos como a Lei de Segurança Nacional, que levou o próprio Lula à prisão.

A cópia que deu origem às que chegaram às telas em 2008, restaurada por uma verba de 860 mil reais da Petrobras, aliás, quase se perdeu. Ficou por quase 20 anos, a partir de 1984, depositada na Cinemateca Brasileira. Sem condições ideais de conservação, quase foi consumida pelo bolor. A restauração exigiu que fossem tratados um a um cerca de 98.000 quadros, além de um trabalho de transferência para película.

Lançado pela primeira vez em 1982, época em que ainda havia censura prévia, o documentário foi exibido publicamente pela primeira vez na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, onde cabiam cerca de 2.000 pessoas. No meio da sessão, chegaram agentes da Polícia Federal, com ordens de apreender o filme -- que não tinha certificado de censura.

Depois de uma negociação entre os policiais, Lula, Chico Buarque de Hollanda (autor da trilha do filme) e o então prefeito de São Bernardo, Tito Costa, decidiu-se que o filme seria entregue, rolo a rolo, às autoridades. Ao invés disso, saiu pela janela diretamente para a sacola de uma faxineira, Maria Elicélia Feitosa da Silva, a Zelinha, que o encaminhou para outras mãos.

Esta história, porém, não está em "Linha de Montagem" e sim em outro documentário, "Peões", de Eduardo Coutinho. O filme de Coutinho, aliás, complementa este trabalho, por abordar igualmente o universo operário.

Direção: Renato Tapajós
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Ano
: 1982
Duração: 90 min.
Elenco: Othon Bastos (narração)